Não é verdade que Daniel Chapo disse que o terrorismo em Cabo Delgado está em fase terminal

A ALEGAÇÃO Circulam em algumas plataformas digitais informações que afirmam que o Presidente da República, Daniel Chapo, assegurou que o terrorismo em Cabo Delgado “está em fase terminal”. Segundo as publicações, o Chefe de Estado teria reafirmado, numa conferência de imprensa realizada em Genebra, que os dias dos ataques terroristas na província de Cabo Delgado estão contados, como se pode ver aqui . OS FACTOS Entretanto, esta informação é distorcida. O Presidente Daniel Chapo não afirmou que o terrorismo em Cabo Delgado está em fase terminal. Na verdade, durante a conferência de imprensa em Genebra, o Chefe de Estado disse: “O que eu sei dizer é que existe uma teoria segundo a qual tudo que tem princípio tem fim… um dia vai terminar… Então, se o terrorismo também começou, um dia vai terminar. Agora, o que não se sabe é quando vai terminar.” Ou seja, o Presidente não garantiu que o terrorismo esteja perto do fim, mas sim expressou esperança e convicção de que o conflito eventualmente cessará, sem indicar prazos ou fazer qualquer anúncio oficial sobre o termino do terrorismo.
Não é verdade que o Presidente da República, Daniel Chapo suspendeu a compra de aviões da LAM para proteger recursos públicos

A ALEGAÇÃO Circula desde quarta-feira, 15 de Outubro, de forma persistente nas redes sociais digitais, uma informação que alega que o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, suspendeu a compra de aeronaves da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e interrompeu o projecto ambicioso do Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, como uma medida para proteger os recursos públicos do Estado, como se pode ler aqui. Segundo as publicações, o Chefe do Estado teria tomado essa decisão para travar um plano do ministro, que previa a aquisição de seis aviões até dezembro deste ano, como parte do processo de revitalização da companhia aérea nacional. Os replicadores dessa informação afirmam ainda que a notícia teria sido publicada por um órgão de comunicação oficial, citando o jornal O País, do grupo SOICO, como se pode ver aqui. OS FACTOS Entretanto, esta informação não corresponde à verdade. O jornal O País de facto publicou, na sua edição do dia 15 de outubro, uma notícia relacionada com o tema, mas cometeu um equívoco de interpretação sobre as declarações do Presidente da República. A verificação feita pelo MISACheck, constatou que o Presidente da Republica, não anunciou recentemente a suspensão da compra de aviões da LAM, nem tomou qualquer nova decisão sobre o assunto.De acordo com o discurso proferido pelo Chefe do Estado na Cerimónia de Encerramento da Conferência Nacional sobre o Combate à Corrupção, realizada no dia 14 de outubro, na cidade de Maputo, o Presidente apenas reafirmou uma decisão que já havia sido comunicada anteriormente, no Informe Presidencial dos Primeiros 100 Dias de Governação. Na ocasião, Daniel Chapo recordou que o Governo havia decidido suspender temporariamente a compra de aeronaves pela LAM, não por falta de ambição, mas por respeito aos princípios de transparência e integridade que devem guiar o uso dos recursos públicos. O Presidente afirmou: “Anunciámos, quando prestávamos contas aos contribuintes, que é o povo moçambicano, em torno dos Primeiros 100 Dias do Nosso Governo, a suspensão da compra de aviões pela LAM, naturalmente não por falta de ambição, mas por respeito aos princípios que sustentam um Estado forte, ético e íntegro.” Portanto, não há qualquer nova decisão presidencial sobre o assunto, nem foi interrompido o projecto de revitalização da LAM. O que o Presidente fez foi reiterar uma medida já conhecida, adotada nos primeiros meses da sua governação, como exemplo de responsabilidade fiscal e combate à corrupção.
MC Trufafa está vivo e não foi baleado novamente

A ALEGAÇÃOCircula na internet uma informação dando conta de que o MC Trufafa, cujo nome verdadeiro é Joel Amaral, foi baleado novamente por desconhecidos e que, desta vez, não resistiu aos ferimentos, tendo morrido, como se pode ver aqui. OS FACTOS Entretanto, essa informação é completamente falsa. O próprio MC Trufafa desmentiu a alegação, afirmando: “Se está a falar comigo agora significa que essa notícia é muito falsa.” Joel Amaral esclareceu ainda que se encontra actualmente fora do país, em busca de segundas opiniões médicas, devido às sequelas psicológicas (como traumas e vertigens) resultantes do atentado ocorrido no dia 13 de abril de 2025, na cidade de Quelimane, província da Zambezia. Na ocasião, MC Trufafa foi alvejado com três tiros, mas o laudo médico confirmou que os projéteis passaram de raspão, sem causar ferimentos graves, e encontra-se fora de perigo.
A informação que circula na internet sobre o suposto rapto do Gabriel Júnior é falsa

A ALEGAÇÃO Começou a circular nas redes sociais da internet uma alegada notícia de última hora afirmando que o empresário Gabriel Júnior teria sido brutalmente raptado na manhã de hoje, sexta-feira, dia 16 de maio, ao sair da loja Shoprite. De acordo com as publicações, câmeras de vigilância teriam captado o momento da agressão, sendo inclusive partilhado um link que supostamente leva aos vídeos que comprovam o suposto ocorrido, como se pode ver aqui. Entretanto, essa informação é falsa. Não há qualquer confirmação oficial do suposto rapto por parte das autoridades policiais ou de fontes jornalísticas credíveis.
Bernardino Rafael não está detido nem é acusado de tentar assassinar Venâncio Mondlane

A ALEGAÇÃO No dia 12 do corrente mês, circulou na internet a informação de que Bernardino Rafael, antigo Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), estaria detido sob custódia da INTERPOL, acusado de tentativa de assassinato contra o ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane. A alegação também foi partilhada nas redes sociais em particular Facebook, como se pode ver aqui. OS FACTOS Entretanto, essa informação é falsa. Em declarações prestadas ao MisaCheck, o Chefe das Relações Públicas do Comando da PRM, Lionel Muchina, desmentiu categoricamente a alegação, afirmando que: “essas informações são inverdades e absolutamente uma invenção. As pessoas querem manchar o bom nome e a reputação do Comandante Bernardino Rafael, e ninguém tentou assassinar o ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane.” Além disso, a assessoria de imprensa da INTERPOL também foi contactada e esclareceu que a organização não realiza prisões directamente. Segundo a INTERPOL “Qualquer detenção deve ser efectuada pela polícia nacional do país em causa, em conformidade com a legislação nacional.” De referir que a função principal da INTERPOL é facilitar a cooperação entre a policia a nível internacional, por meio do compartilhamento de informações sobre crimes e suspeitos entre os países membros. A organização também pode emitir notificações internacionais, como a difusão vermelha para procurados, mas não actua como órgão de execução penal, como se pode ler aqui.
Ossufo Momade está vivo, garante a Renamo

A ALEGAÇÃO Desde 27 de Abril em curso que circulam, nas redes sociais digitais, informações dando conta de uma suposta morte do presidente da Renamo, Ossufo Momade, conforme se pode ler aqui. OS FACTOS Entretanto, logo a seguir à publicação da alegação, a Renamo divulgou um comunicado de imprensa no qual assinala que “tais informações não passam de verdadeiras mentiras e/ou boatos, um acto de má-fé de pessoas com objetivos inconfessáveis, pois o presidente da Renamo está vivo e goza de boa saúde”. Igualmente, o deputado Arnaldo Chalaua, do partido Renamo, reforçou, num programa televisivo, que Ossufo Momade se encontra bem de saúde, com a sua família, em Maputo, condenando a circulação de informações falsas, como se pode ver aqui. Também é de destacar que as fontes da alegação são de credibilidade duvidosa. Por exemplo, numa das publicações, o link redireciona para um suposto site de notícias, onde, no entanto, não se confirma a morte do político (em vez disso, o texto aborda uma suposta manifestação de indignação de Ossufo Momade em relação ao crescimento do partido Podemos: https://noticiasbombasticas5.blogspot.com/2025/04/ultima-hora-lider-da-renamo-ossufo_27.html?m=1).
Não é verdade que Dom Carlos Matsinhe foi preso por lavagem de dinheiro na África do Sul

A ALEGAÇÃO Desde finais de Março que tem circulado, de forma persistente nas redes sociais digitais, uma informação que alega que o Governo sul-africano confirma prisão de Dom Carlos Matsinhe, presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique. Segundo a publicação, o presidente da CNE teria sido detido por lavagem de dinheiro e desvio de fundos relacionados com o processo eleitoral moçambicano, como se pode ver aqui. Outras publicações acrescentam que Dom Carlos Matsine foi encontrado na posse de uma mala de dinheiro que, alegadamente, era destinado a caridade, como se pode ler aqui. OS FACTOS Entretanto, as informações que circulam são completamente falsas. O MisaCheck conseguiu falar com Dom Carlos Matsinhe a partir de Maputo e não da prisão e nem da África do Sul. No contacto com a nossa equipa, o presidente da CNE desmentiu, categoricamente, as informações que recaem sobre ele. “De facto, eu estou bem, estou aqui em Maputo e estou a viver uma vida normal, a exercer o meu trabalho e tenho estado aqui, na CNE, diariamente. Essa informação é mesmo de maldade. A informação não é verdadeira”, afirmou. Além disso, a verificação feita pelo MisaCheck constatou que nenhuma instituição jornalística séria reportou a alegada detenção. Da mesma forma, nem as autoridades moçambicanas nem as sul-africanas emitiram qualquer tipo de comunicado ou confirmação sobre a suposta prisão. Se tal acontecimento tivesse de facto ocorrido, envolvendo uma figura como o presidente da CNE, seria, sem dúvidas, um tema de destaque dos principais meios de comunicação.
Não há nenhuma decisão para voto electrónico em Moçambique

A ALEGAÇÃO Recentemente, foi publicada, num suposto site de notícias, uma informação com o título: “Eleições de 2025 serão realizadas de forma eletrónica, confirma Venâncio Mondlane”. Além da alegada realização de eleições em 2025, a referida informação destaca que o político moçambicano teria dado uma entrevista à media local, assegurando que a transição para o voto eletrónico traria mais transparência, segurança e eficiência ao processo eleitoral. A informação menciona, também, que o projecto de implantação do voto electrónico estaria em andamento com o apoio de empresas tecnológicas e que programas educativos estariam a ser preparados para informar os eleitores sobre a nova forma de votar, como se pode ler aqui. OS FACTOS Entretanto, esta informação é completamente falsa. Para começar, Moçambique não terá eleições este ano. Em Moçambique, as eleições realizam-se a cada cinco anos. Assim, dado que as últimas eleições ocorreram em 2023 (autárquicas) e 2024 (gerais), as próximas só deverão ocorrer, respectivamernte, em 2028 e 2029. Além disso, não há nenhuma decisão tomada sobre implementação de voto eletrónico, em Moçambique. O que existe é apenas uma proposta de estudo sobre a viabilidade do voto eletrónico, como esclareceu ao MisaCheck o porta-voz da CNE, Paulo Cuinica. “Essa proposta foi apenas uma recomendação do público presente no encontro realizado nos dias 24 e 25 de Fevereiro de 2025, sobre o balanço das Sextas Eleições Autárquicas de 11 de Outubro de 2023, e das Sétimas Eleições Gerais de 9 de Outubro de 2024 e, até ao momento, não há nenhuma decisão concreta sobre o assunto. Ainda estamos a reflectir sobre a colocação. Não é verdade que está a ser implementado um projecto desta natureza, aqui, em Moçambique” frisou. O comunicado oficial sobre o encontro pode ser visto aqui.
Venâncio Mondlane está vivo e não sofreu nenhum acidente aéreo

A ALEGAÇÃO Tal como a sua mandatária financeira, Glória Nobre, o ex-candidato presidencial, Venâncio Mondlane, também foi dado como morto pelas redes sociais da Internet. A informação sobre a alegada morte de Venâncio Mondlane também foi divulgada no dia 1 de Abril, por um site que alegou que o ex-candidato presidencial morreu num acidente aéreo, enquanto pilotava um Tupolev Tu-134. Segundo a alegação, o acidente ocorreu na fronteira entre Moçambique e África do Sul, próximo à Cidade do Cabo, como se pode ler aqui. OS FACTOS Porém, esta informação é completamente falsa. Um dia após a alegada morte, Venâncio Mondlane fez uma aparição pública, no dia 2 de Abril, divulgando imagens de um encontro com o ex-presidente sul-africano, Thabo Mbeki, como pode ser visto aqui. Além de a página oficial do político não mencionar tal ocorrência, nenhum órgão de comunicação social oficial reportou tal acontecimento, o que, na eventualidade de a informação ser verdadeira, seria simplesmente impossível, ainda mais por Venâncio Mondlane ser uma figura de destaque no panorama político nacional. Pelo contrário, a informação foi divulgada por um site de credibilidade duvidosa. Aliás, no referido site, as opções de compartilhamento e comentários redireccionam os usuários para sites de apostas online, uma característica comum de plataformas fraudulentas que procuram enganar internautas e atrair tráfego. Mais ainda, a imagem utilizada como a prova do suposto acidente não é da África do Sul. Pelo contrário, é referente a um acidente aéreo ocorrido em Dezembro de 2024, perto do aeroporto de Aktau, no Cazaquistão, como se pode ver aqui e aqui. Como se não bastasse, a referência de que o suposto acidente ocorreu na fronteira entre Moçambique e África do Sul, próximo à Cidade do Cabo, também está errada. A Cidade do Cabo não está na fronteira com Moçambique. Pelo contrário, é uma cidade portuária situada na costa sudoeste da África do Sul (extremo oposto de Moçambique), ficando a aproximadamente dois mil quilómetros de Maputo (comparativamente, é uma distância próxima a de Maputo a Nampula, no Norte de Moçambique). A desinformação sobre a morte de Venâncio Mondlane pode ser parte da escalada de casos de género observada por ocasião do dia 1 de Abril, conhecido como Dia da Mentira. Aliás, tal como o MisaCheck indicou, esta quinta-feira, por ocasião desta data, circularam vários casos de desinformação sobre a morte de figuras públicas moçambicanas, incluindo Glória Nobre, mandatária financeira de Venâncio Mondlane, como se pode verificar aqui.
Informação sobre morte da mandatária financeira de Venâncio Mondlane é falsa

A ALEGAÇÃO Na quarta-feira, 2 de Abril, um site supostamente de notícias chamado Povomz publicou uma informação alegando que Glória Nobre, mandatária financeira do ex-candidato presidencial, Venâncio Mondlane, teria perdido a vida enquanto estava detida, alegadamente por desvio de fundos do Estado para financiar a campanha do concorrente que era suportado pelo partido Podemos. A alegação vem acompanhada de uma imagem supostamente retirada de um noticiário televisivo, com o GC (gerador de caracteres) indicando que ‘‘Glória Nobre detida em Maputo: Financeira e mandatária de Venâncio Mondlane acusada pelas autoridades de financiamento ao terrorismo’’. OS FACTOS Entretanto, esta informação é completamente falsa. Glória Nobre está viva e continua detida, na cidade de Maputo, desde o dia 12 de Março. O MisaCheck entrou em contacto com o Gabinete de Comunicação e Imagem de Venâncio Mondlane, tendo o assessor de imprensa do antigo candidato presidencial negado categoricamente as alegações sobre a morte da Glória Nobre. De acordo com Abdul Nariz, assessor de imprensa, ‘‘esta informação não constitui a verdade. Ela (da Glória Nobre) encontra-se viva. É verdade que ela tem problemas de hipertensão e, de vez em quando, sofre crises, mas está viva’’. A fonte acredita que esta alegação tenha surgido devido ao 1º de Abril, Dia da Mentira, data frequentemente associada à propagação de desinformação e boatos. Aliás, o MisaCheck identificou outros casos de desinformação que circularam na mesma data, incluindo alegações infundadas sobre a morte de figuras públicas moçambicanas, como se pode verificar aqui e aqui. A disseminação de informações falsas, independentemente da sua natureza, pode gerar pânico e levar aos caos e até tragédias. Por isso, o MisaCheck reforça a necessidade de um compromisso colectivo no combate à desinformação, porquanto a sua propagação representa uma ameaça à democracia e à estabilidade social. Assim, todos os cidadãos são chamados a verificarem a autenticidade das informações antes de compartilhá-las. O combate à desinformação é, pois, uma responsabilidade de todos nós!