Não, Trump não disse que “a Frelimo perdeu as eleições e Venâncio é o legitimo vencedor”

ALEGAÇÃO Circula, desde ontem, nas redes sociais digitais, um vídeo mostrando o recém-eleito presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, alegadamente a reconhecer a vitória de Venâncio Mondlane e a derrota da Frelimo nas eleições de 9 de Outubro, em Moçambique. No referido vídeo, vê-se Trump alegadamente a afirmar que “(…) moçambicanos estão a enviar mensagens no meu Twitter, pedindo apoio. A comunidade internacional sabe que a Frelimo perdeu as eleições e Venâncio é o legitimo vencedor. Se quiserem governar à força, iremos cortar o nosso financiamento ao Governo (moçambicano)”, conforme se pode ver aqui. OS FACTOS No entanto, esta alegação não é verdadeira, resultando de uma pura manipulação. A verificação feita pelo MisaCheck constatou que o vídeo em questão foi extraído de uma entrevista concedida por Donald Trump à Bloomberg News durante o The Economic Club of Chicago, no dia 15 de Outubro de 2024, nos EUA. Durante essa entrevista, Trump discutiu, exclusivamente, temas relacionados à economia dos Estados Unidos, incluindo tarifas, comércio, política monetária, dívida, relações com a China, Vladimir Putin, Google e imigração, como se pode ver aqui. Em nenhum momento, Trump mencionou Moçambique, Venâncio Mondlane ou a Frelimo. Além disso, esta entrevista ocorreu a 15 de Outubro, antes sequer de Donald Trump ser eleito próximo presidente dos EUA, o que só viria a acontecer a 5 de Novembro. Mais ainda, nesta data, ainda não se conheciam os resultados das eleições moçambicanas, que só foram divulgados no dia 24 de Outubro, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Não, CC não irá anunciar resultados eleitorais esta segunda-feira

A ALEGAÇÃO Circula, desde ontem, nas redes sociais digitais, uma alegação segundo a qual o Conselho Constitucional (CC) anunciará, esta segunda-feira, 25 de Novembro de 2024, os resultados definitivos das eleições gerais deste ano. Segundo a alegação, a proclamação dos resultados ocorrerá entre 13h e 15h de hoje. A informação tem sido acompanhada de mensagens com apelos para que os moçambicanos fiquem atentos, com a justificação de que tal anúncio ditará “o destino do país”. Além disso, as mensagens que acompanham chegam a sugerir possíveis acções de violência caso os resultados não atendam às expectativas de determinados grupos, como se pode ler aqui. OS FACTOS Entretanto, não é verdade que o CC irá anunciar, hoje, os resultados eleitorais. Além de o CC não ter feito nenhum anúncio público de género, uma fonte do órgão garantiu, há poucos, ao Misa Check, que tal informação não constitui verdade. O CC encontra-se, ainda, a trabalhar sobre o dossier das eleições, não havendo, ainda, uma data definida para o anúncio dos resultados.
Não há evidencias da presença de Verónica Macamo em Bruxelas muito menos negociações para manter a Frelimo no poder

A ALEGAÇÃO Esta a viralizar, nas redes sociais da Internet, informações dando conta de que a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, estaria em Bruxelas, Bélgica, para negociar a permanência da Frelimo no poder. As publicações sugerem que essas negociações incluiriam concessões envolvendo gás natural e petróleo em troca de apoio político por parte da União Europeia (UE). Além disso, incentivam uma mobilização popular contra a suposta negociação, apelando para o envio de mensagens em massa às embaixadas de países como Portugal, França e Itália, bem como a líderes internacionais como Donald Trump, como se pode ver aqui e aqui. OS FACTOS Entretanto, não há evidências que sustentem estas alegações. Para começar, não há evidências de que Verónica Macamo esteja ou tenha estado, recentemente, na Europa. Contactada pelo Misa Check, a assessoria de imprensa da ministra respondeu que Verónica Macamo está em Moçambique e não esteve fora do país nas duas últimas semanas. Uma verificação efectuada pelos principais órgãos de comunicação do país também mostra que não há qualquer referência da presença de Veronica Macamo em Bruxelas, muito menos sobre qualquer tipo de negociações relacionadas à permanência da Frelimo no poder.
Não, treinador maliano não inalou gás no Estádio do Zimpeto

A ALEGAÇÃO Está a circular, nas redes sociais digitais, uma fotografia do treinador da selecção de futebol do Mali, Eric Chelle, supostamente depois de inalar gás lacrimogéneo, em Moçambique. O contexto por detrás da publicação é de que o treinador terá sido vítima de uso de gás lacrimogéneo, pela Polícia moçambicana (em repressão a manifestações pós-eleitorais), à margem do jogo desta sexta-feira, com a selecção moçambicana de futebol, os Mambas, no Estádio Nacional do Zimpeto (ENZ), em Maputo. OS FACTOS Entretanto, esta é uma alegação completamente falsa. Para começar, o jogo entre as selecções moçambicanas e maliana ainda não iniciou, devendo iniciar apenas às 18h de Maputo. Em segundo lugar, a fotografia em causa não foi tirada no ENZ nem em Moçambique, como alegado. Uma verificação feita pelo Misacheck constatou que a fotografia em questão é, na verdade, uma captura de tela de um vídeo que foi tirado no contexto da Copa Africana de Nações (CAN) 2023, depois de a selecção de futebol do Mali ter perdido para a selecção da Costa do Marfim, como se pode ver no trecho do vídeo disponível aqui.
MisaCheck alerta sobre a disseminação de desinformação e ameaças de violência contra a Presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro

A ALEGAÇÃO Nas últimas horas, têm circulado nas redes sociais várias alegações alarmantes e sem fundamento que ameaçam a vida da Presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro. De acordo com essas alegações, Lúcia Ribeiro estaria supostamente a ser alvo de uma operação para ser “abatida” nas próximas 24 horas, como represália por uma suposta tentativa de “abandono do barco”. As mensagens sugerem que ela teria apenas duas opções: recontar os votos das eleições presidenciais de 9 de outubro de 2024 ou anular os resultados, como se pode ver no link disponível aqui. Posicionamento do MisaCheck O MisaCheck, enquanto entidade dedicada à promoção da informação verificada e ao combate à desinformação, condena veementemente esta campanha de desinformação e o discurso de ódio que as acompanha. A disseminação de informações infundados que promovem ameaças de violência não só é irresponsável, como também constitui um grave atentado ao estado de direito. Reiteramos que, até ao momento, não existem evidências que suportem as alegações contra a presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro. Apelamos aos cidadãos para que sejam vigilantes e criteriosos ao consumir e partilhar informações nas redes sociais. Espalhar desinformação não só compromete a paz e a coesão social, mas também alimenta a instabilidade política num momento crítico para o país.
The New York Times não fez qualquer publicação sobre “assassinos de uma Nação chamada Moçambique”

A ALEGAÇÃO Circula, em grupos de WhatsApp, uma imagem de uma alegada capa do jornal The New York Times, com o título “The Assassins of a Nation Called Mozambique” (Os Assassinos de uma Nação Chamada Moçambique”. A publicação, com a data de 8 de Novembro de 2024, apresenta fotografias do candidato presidencial, Venâncio Mondlane, e dos activistas Adriano Nuvunga e Quitéria Guirengane. A mesma imagem já esta a ganhar repercussão no Facebook como se pode ver aqui. OS FACTOS Entretanto, esta informação é completamente falsa. O layout da capa do The New York Times foi claramente manipulado para inserir conteúdos sobre Moçambique, no lugar da informação original que é sobre a política americana. De facto, a edição do dia 8 de Novembro de 2024, do The New York Times, trazia como manchete principal “President-Elect Spun His Own Grievances Into Political Gold” (o Presidente eleito – no caso Donald Trump, dos Estados Unidos da América – transformou as suas próprias queixas em ouro político”, como se pode ver aqui.
Informação sobre incêndio de casas da presidente do CC e de comentador da TVM não é credível

A ALEGAÇÃO Estão a viralizar, nas redes sociais digitais, informações alegando incendio sobre duas casas. A primeira, supostamente localizada na província de Inhambane, é, alegadamente, pertencente à presidente do Conselho Constitucional (CC), Lúcia Ribeiro, conforme se pode ver aqui. A outra é, alegadamente, pertencente a um comentarista da Televisão de Moçambique (TVM), cujo nome não foi revelado. Esta segunda alegação indica que o incendio terá ocorrido em suposta retaliação ao facto de o comentador ter, alegadamente, chamado jovens moçambicanos de “tolos”. Esta alegação pode ser vista aqui. OS FACTOS Entretanto, as duas alegações não são credíveis. Para começar, os sites nos quais foram divulgados são parte de publicações duvidosas que se destacam na difusão de desinformação. Segundo, a imagem usada para sustentar as duas alegações, que mostra uma casa em chamas, com uma densa nuvem de fumaça preta, é exactamente a mesma, o que, por si só, confirma a falsidade de um dos casos (ou a casa é da presidente do CC ou do comentador da TVM). Terceiro, não há registo de que Lúcia Ribeiro se tenha pronunciado sobre um incêndio em sua residência, conforme alegado numa das publicações. Quarto, a Polícia, em Inhambane, também não encontrou evidências que comprovem a veracidade da alegação do incêndio sobre uma casa da presidente do CC. Quinto, embora um comentaria da TVM, Dércio Alfazema, venha se queixando de ameaças, conforme se pode ver aqui, não há registo factual de que sua casa tenha sido incendiada.
Não há evidências da presença de tropas ruandesas em Maputo

A ALEGAÇÃO Desde início de Novembro corrente que diversas contas e páginas de redes sociais digitais dão conta de uma alegada presença de tropas ruandesas em Maputo, supostamente envolvidas em operações para controlar as manifestações que se seguiram às eleições, conforme se pode constatar, a título de exemplo, aqui. OS FACTOS Entretanto, esta alegação foi desmentida tanto pelo Governo ruandês, através da sua porta-voz, Yolande Makolo, como tambem pelo Governo moçambicano, através do presidente da República, Filipe Nyusi, como pelo ministro da Defesa, Cristóvão Chume. A União Europeia também negou estar a apoiar operações ruandesas contra manifestantes, em Maputo. Este texto não desmente a presença de tropas ruandesas, em Maputo, mas assume, categoricamente que, pelo menos até à hora da sua publicação, não há evidências sobre esta alegação. Entre os militares que estiveram nas ruas, nos dias das manifestações, não se constaram ruandeses, em Maputo, incluindo pelos media.
Vídeo sobre fabricação de resultados eleitorais não é actual

A ALEGAÇÃO Circula, desde a semana passada, nas redes sociais digitais, um vídeo de aproximadamente 17 segundos, no qual o antigo primeiro secretário da Frelimo, na província da Zambézia, Paulino Lenço, afirma que “a Frelimo não teve nenhum adversário; a Renamo, MDM (…) não foram os nossos adversários. Vocês todos viram que os resultados foram fabricados no gabinete”. O vídeo está a ser amplamente compartilhado como uma confissão da fraude eleitoral que terá favorecido a Frelimo e o seu candidato presidencial, Daniel Chapo, nas eleições gerais deste ano. OS FACTOS Apesar de o vídeo ser autêntico, o seu contexto foi distorcido, levando a uma interpretação incorreta da mensagem transmitida. Na verdade, o vídeo em causa é um trecho de uma reportagem de aproximadamente 2 minutos e 29 segundos, exibida no programa “Fala Moçambique”, do canal televisivo Miramar, e publicada no dia 20 de Fevereiro deste ano, no canal de YouTube desta Tv. De facto, os depoimentos em causa, feitos na terceira sessão ordinária da Frelimo na Zambézia, dizem respeito ao balanço das eleições autárquicas de 2023, e não às eleições gerais deste ano, que ainda não tinham sido realizadas. Aliás, na reportagem original, Paulino Lenço, que na altura ainda era primeiro secretário da Frelimo, na Zambézia, dizia exactamente o oposto da interpretação que está a ser atribuída agora às suas falas. O que Lenço dizia, na altura, era que a Frelimo ganhou nas sete autarquias da Zambézia, pelo que a vitória da Renamo nos municípios de Quelimane e Alto Molócue “foi fabricada”. Por outras palavras, numa clara alusão à decisão final do Conselho Constitucional, o então primeiro secretário provincial da Frelimo, na Zambézia, colocava em causa a vitória da Renamo nas autarquias de Quelimane e Alto Molócue, conforme decidido, no ano passado, pelo Conselho Constitucional.
Escalada da desinformação sobre o assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe

A ALEGAÇÃO O MISA Check expressa preocupação com a propagação de desinformação em torno do assassinato do advogado Elvino Dias e Paulo Guambe, mandatário do Podemos, ocorrido na madrugada de sábado, 19 de outubro, na cidade de Maputo. Logo após o anúncio da morte de Elvino Dias, começaram a circular diversas informações contraditórias sobre o caso. Essas informações estão a ser disseminadas em diferentes plataformas de comunicação, com maior incidência nas redes sociais, particularmente no Facebook e no WhatsApp, em formatos de texto, áudio, vídeo e imagem. FACTOS Desde o anúncio destes assassinatos, o Misa Check tem vindo a registar várias informações controversas que estão a ser postas a circular sobre as causas do crime macabro e que constituem manipulação e tentativas de desinformação. A difusão dessas informações intensificou-se logo após as declarações do porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), Leonel Muchina, que atribuiu o assassinato a motivos passionais, sem apresentar evidências concretas, conforme se pode testemunhar nas declarações feitas na conferência de imprensa transmitida pelas televisões nacionais, ao meio dia do sábado 19 de outubro. O MISA Check lamenta que as autoridades policiais, que deveriam seguir protocolos rigorosos e baseados em provas após investigações completas, tenham emitido declarações prematuras, contribuindo para a disseminação de desinformação. Apesar da especulação do porta Voz da PRM ter sido contrariada pelo próprio Ministro do interior, Pascoal Ronda, que na sua comunicação, instou às instituições relevantes, particularmente a PRM e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), para o esclarecimento célere destes dois casos e que os seus actores sejam levados a justiça e responsabilizados pelos seus actos hediondos, bem como o apelo a serenidade e calma de todos os cidadãos, devendo evitar a desinformação. Durante este período, o MISA Check tem vindo a assinalar a circulação de áudios gravados, textos e imagens criados por indivíduos não identificados e amplamente replicados nas plataformas mencionadas, com o objectivo claro de manipular a opinião pública. Tais são os casos das divulgações feitas nas paginas de Facebook aqui partilhadas. Portanto, o MISA Check alerta a população para estar vigilante contra a desinformação e apela às autoridades para que mantenham uma comunicação transparente e rigorosa sobre o andamento das investigações, comprometendo-se com a verdade dos factos.