Não há evidencias da presença de Verónica Macamo em Bruxelas muito menos negociações para manter a Frelimo no poder

A ALEGAÇÃO Esta a viralizar, nas redes sociais da Internet, informações dando conta de que a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, estaria em Bruxelas, Bélgica, para negociar a permanência da Frelimo no poder. As publicações sugerem que essas negociações incluiriam concessões envolvendo gás natural e petróleo em troca de apoio político por parte da União Europeia (UE). Além disso, incentivam uma mobilização popular contra a suposta negociação, apelando para o envio de mensagens em massa às embaixadas de países como Portugal, França e Itália, bem como a líderes internacionais como Donald Trump, como se pode ver aqui e aqui. OS FACTOS Entretanto, não há evidências que sustentem estas alegações. Para começar, não há evidências de que Verónica Macamo esteja ou tenha estado, recentemente, na Europa. Contactada pelo Misa Check, a assessoria de imprensa da ministra respondeu que Verónica Macamo está em Moçambique e não esteve fora do país nas duas últimas semanas. Uma verificação efectuada pelos principais órgãos de comunicação do país também mostra que não há qualquer referência da presença de Veronica Macamo em Bruxelas, muito menos sobre qualquer tipo de negociações relacionadas à permanência da Frelimo no poder.
MisaCheck alerta sobre a disseminação de desinformação e ameaças de violência contra a Presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro

A ALEGAÇÃO Nas últimas horas, têm circulado nas redes sociais várias alegações alarmantes e sem fundamento que ameaçam a vida da Presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro. De acordo com essas alegações, Lúcia Ribeiro estaria supostamente a ser alvo de uma operação para ser “abatida” nas próximas 24 horas, como represália por uma suposta tentativa de “abandono do barco”. As mensagens sugerem que ela teria apenas duas opções: recontar os votos das eleições presidenciais de 9 de outubro de 2024 ou anular os resultados, como se pode ver no link disponível aqui. Posicionamento do MisaCheck O MisaCheck, enquanto entidade dedicada à promoção da informação verificada e ao combate à desinformação, condena veementemente esta campanha de desinformação e o discurso de ódio que as acompanha. A disseminação de informações infundados que promovem ameaças de violência não só é irresponsável, como também constitui um grave atentado ao estado de direito. Reiteramos que, até ao momento, não existem evidências que suportem as alegações contra a presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro. Apelamos aos cidadãos para que sejam vigilantes e criteriosos ao consumir e partilhar informações nas redes sociais. Espalhar desinformação não só compromete a paz e a coesão social, mas também alimenta a instabilidade política num momento crítico para o país.
Informação sobre incêndio de casas da presidente do CC e de comentador da TVM não é credível

A ALEGAÇÃO Estão a viralizar, nas redes sociais digitais, informações alegando incendio sobre duas casas. A primeira, supostamente localizada na província de Inhambane, é, alegadamente, pertencente à presidente do Conselho Constitucional (CC), Lúcia Ribeiro, conforme se pode ver aqui. A outra é, alegadamente, pertencente a um comentarista da Televisão de Moçambique (TVM), cujo nome não foi revelado. Esta segunda alegação indica que o incendio terá ocorrido em suposta retaliação ao facto de o comentador ter, alegadamente, chamado jovens moçambicanos de “tolos”. Esta alegação pode ser vista aqui. OS FACTOS Entretanto, as duas alegações não são credíveis. Para começar, os sites nos quais foram divulgados são parte de publicações duvidosas que se destacam na difusão de desinformação. Segundo, a imagem usada para sustentar as duas alegações, que mostra uma casa em chamas, com uma densa nuvem de fumaça preta, é exactamente a mesma, o que, por si só, confirma a falsidade de um dos casos (ou a casa é da presidente do CC ou do comentador da TVM). Terceiro, não há registo de que Lúcia Ribeiro se tenha pronunciado sobre um incêndio em sua residência, conforme alegado numa das publicações. Quarto, a Polícia, em Inhambane, também não encontrou evidências que comprovem a veracidade da alegação do incêndio sobre uma casa da presidente do CC. Quinto, embora um comentaria da TVM, Dércio Alfazema, venha se queixando de ameaças, conforme se pode ver aqui, não há registo factual de que sua casa tenha sido incendiada.
Não há evidências da presença de tropas ruandesas em Maputo

A ALEGAÇÃO Desde início de Novembro corrente que diversas contas e páginas de redes sociais digitais dão conta de uma alegada presença de tropas ruandesas em Maputo, supostamente envolvidas em operações para controlar as manifestações que se seguiram às eleições, conforme se pode constatar, a título de exemplo, aqui. OS FACTOS Entretanto, esta alegação foi desmentida tanto pelo Governo ruandês, através da sua porta-voz, Yolande Makolo, como tambem pelo Governo moçambicano, através do presidente da República, Filipe Nyusi, como pelo ministro da Defesa, Cristóvão Chume. A União Europeia também negou estar a apoiar operações ruandesas contra manifestantes, em Maputo. Este texto não desmente a presença de tropas ruandesas, em Maputo, mas assume, categoricamente que, pelo menos até à hora da sua publicação, não há evidências sobre esta alegação. Entre os militares que estiveram nas ruas, nos dias das manifestações, não se constaram ruandeses, em Maputo, incluindo pelos media.